Crítica: Blade Runner 2049

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Em tempos de um cinema Hollywoodiano recheado de filmes explicados e mastigados para o público, remakes e blockbusters que em nada inovam ou acrescentam, Blade Runner 2049 consegue fugir do padrão, sem medo de arriscar, expandindo e homenageando de forma magnífica o universo do filme de 1982.

O filme continua sendo uma história de investigação. Trinta anos após os acontecimentos do primeiro longa, o mundo está repleto de androides muito mais avançados do que os produzidos pela Corporação Tyrell, que foi à falência e teve seus espólios adquiridos pela empresa de Niander Wallace (Jared Leto), pai da nova geração de replicantes. Os modelos antigos passam a ser considerados uma ameaça, sendo perseguidos por caçadores de recompensa afiliados à polícia. Nesse cenário, K (Ryan Gosling), após aposentar um desses replicantes ultrapassados, se vê diante de um mistério com potencial de iniciar uma revolução. Qualquer outra coisa que se saiba sobre a narrativa vai estragar as surpresas (sim, são muitas!) ao longo do filme.

Vale ressaltar que esse novo filme foi feito em condições totalmente favoráveis, sem ter que enfrentar as mesmas dificuldades que o original, que passou por várias mudanças (chegando a ter sete versões até chegar ao seu corte final), e foi recepcionado pelo público e crítica de maneira fraquíssima na época. O diretor Denis Villeneuve (“A Chegada”) teve total liberdade para dar sequência aos questionamentos anteriormente apresentados, de forma que não ficasse algo “mais do mesmo”, e explorando mais ainda conceitos que estão no livro de Philip K. Dick.

É bem possível que Blade Runner 2049 traga o tão merecido Oscar de melhor fotografia para Roger Deakins, que atualmente é considerado um dos melhores fotógrafos do cinema e possui 13 indicações e (injustamente) nenhuma estatueta em casa. O trabalho de Deakins no longa é bom neste nível. São inúmeras sequências de tirar o fôlego, que só não sobressaem ao filme em si, pela mão forte na condução do diretor. Já a inesquecível trilha de Vangelis que marcou o filme original é homenageada na medida certa pela dupla Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch.

O elenco é bem recheado, e diferente de muitos filmes recentes em que a participação de alguns atores chegou a ser um tanto desnecessária, aqui cada um tem uma função bem delimitada. Mesmo ausentes em tela, a presença de alguns personagens continua reverberando. Destaque para o seu forte casting feminino.

Assim como seu antecessor, o longa não é um blockbuster comum, não é puro escapismo, não é puro entretenimento. Se sua intenção for se distrair, não ter muito em que pensar e quiser apenas esquecer os problemas num filme de rápido consumo e descarte, o novo Blade Runner não é o filme para você, assim como o primeiro já não era, e talvez tenha sido tão mal recebido. Esta é uma obra contemplativa, de ritmo lento, que não faz uso de nenhuma grande cena memorável de ação e segue sendo um filme de questões, de mais perguntas do que respostas e de imersão, na qual nos pegaremos refletindo por muito tempo após o término da exibição.

Por fim, como complemento, recomendo os três curtas lançados paralelamente ao filme, que exploram um pouco mais alguns personagens e a própria trama que antecede o filme. Outra dica é ver o filme na maior tela possível, pra garantir a máxima imersão nesse universo futurista.

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Biografia do Autor

Giovanni Christian

Designer, ilustrador, cinéfilo e nerd curitibano. Fã de Star Wars desde sempre, começou a participar das atividades do Conselho Jedi Paraná em 2009, e atualmente é um membro da organização do fã-clube

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